Te amo mais uma vez esta noite, talvez nunca tenha cometido “euteamo” assim tantas seguidas vezes, mal cabendo no fato e no parco dos dias. Não importa, importa é a alegria límpida de poder deslocar o “Eu te amo” de um único definitivo dia que parece bastá-lo como juramento e cuja repetição, parece maculá-lo ou duvidá-lo... Qual nada! Pois que o euteamo é da dinâmica dos dias, é do melhoramento do amor,é do avanço dele, é verbo de consistência, é conjugação de alquimia, é do departamento das coisas eternas que se repetem variadas e iguais todos os dias, na fartura das rotações e seus relógios de colmeias, no ciclo das noites e na eternidade das estréias: O sol se aurora e se põe com exuberância comum e com novidade diária e aí dizemos em espanto bom: Que dia lindo! E é! Porque só aquele dia lindo é lindo como aquele. Nossa sede, por mais primitiva, é sempre uma loucura da falta inédita até o paraíso da água nova no deserto da nova goela. Ela, a água, a transparente obviedade que habita nosso corpo e nos exige reposição cujo modo é o prazer. Vê, tudo em nós comemora o novo milenar de si todas as horas: Comer é novidade, dormir é novidade, doer é novidade, sorrir é novidade, maravilhosa repetitiva verdade que se expõe em cachos a nosso dispor variando em sabor e temor e glória, por isso te amo agora como nunca antes, porque quando te amei ontem... Eu te amava naquele tempo e sou hoje o gerúndio daquela disposição de verbo. Te amo hoje com você dentro embora sem você perto, te amo em viagem portanto em viragem diferente da que quando estava perto, meu certo é alto, forte. Te amo como nunca amei você longe, meu continente, minha rainha. Eu te amo quantas vezes for sentido e só nesse motivo é que te amarei.
domingo, 12 de setembro de 2010
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